segunda-feira, 11 de fevereiro de 2013

FÁBULA DE CONVIVÊNCIA


Durante uma era glacial, muito remota, quando parte do globo terrestre esteve coberto por densas camadas de gelo, muitos animais não resistiram ao frio intenso e morreram indefesos, por não se adaptarem às condições do clima hostil. Foi então que uma grande manada de porcos espinhos, numa tentativa de se proteger e sobreviver começou a se unir, a juntar-se mais e mais. 
            Assim, cada um podia sentir o calor do corpo do outro. E todos juntos, bem unidos, agasalhavam-se mutuamente, aqueciam-se, enfrentando por mais tempo aquele inverno tenebroso. Porém, vida ingrata, os espinhos de  cada  um  começaram  a   ferir os companheiros  mais próximos,  justamente  aqueles que  lhes forneciam  mais calor, aquele calor vital, questão  de vida  ou   morte.    E afastaram-se, feridos, magoados, sofridos. Dispersaram-se, por não suportarem mais tempo os espinhos dos seus semelhantes. Doíam muito... 
            Mas, essa não foi a melhor solução: afastados, separados, logo começaram a morrer congelados. Os que não morreram voltaram a se aproximar pouco a pouco, com jeito, com precauções, de tal forma que, unidos,  cada qual conservava certa distância do outro, mínima, mas o suficiente para conviver sem ferir, para sobreviver sem magoar, sem causar danos recíprocos. 
            Assim suportaram-se, resistindo à longa era glacial. Sobreviveram.                         
                                                                                                                                (Fábulas de Esopo)

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